6 segredos para criar cenas de ação

Definir cenas de ação, atrai a atenção dos leitores deixando-os propensos a continuar a leitura de seu livro.

Em certos momentos da história, uma certa pitada de ação ajuda na condução do enredo, gerando mais emoção e mantendo um certo relacionamento com os leitores.

As cenas de ação podem ser definidas de forma simples, acrescentando desafios aos personagens, com exigência de uma reação corporal que cause alguma consequência, caso não obtenha êxito.

Com cenas rápidas, pode-se criar situações que exigem alguma habilidade extra do personagem, com pensamento competitivo ou urgente.

Alguns momentos que vivenciamos pessoalmente, podem servir como exemplos rápidos, sendo aproveitados na elaboração de uma cena de ação, gerando expectativa, ou admiração dos leitores pela forma como o personagem conseguiu passar por aquela situação.

Como exemplo, podemos criar uma situação, onde o personagem está atrasado para realizar a prova de um concurso, pelo qual se preparou durante o ano inteiro, e criar diversos obstáculos que gere empatia dos leitores, fazendo com que eles torçam pelo personagem.

Pode ser por situações de risco, quando um personagem percebe que está sendo perseguido enquanto caminha pela rua, ou durante uma prática de montanhismo, com um acidente que causou uma situação de apuros.

Os personagens que criamos, devem ser baseados em situações reais que as pessoas vivenciam, com exceção para os gêneros de ficção científica, que podem exercer reações diferentes dos seres humanos.

Mas na maioria das vezes, tratamos de personagens baseados nas pessoas, com seus traumas, habilidades, reações e estado de espíritos diversos, e nesse mundo da diversidade, podemos através da criatividade, criar diversos exemplos de personagens que se adaptam a trama da nossa história, ou são criados baseados nas situações que a história exige.

Uma das habilidades que o autor precisa obter, é saber elaborar cenas de ação envolventes, voltado a gerar atenção e expectativas dos leitores.

Na sequência desse artigo, escrevi 6 dicas que você pode utilizar, no momento de elaborar cenas de ação no seu livro.

1 – Incluir diálogos nas cenas

Nesse primeiro momento você precisa entender que está escrevendo um livro e não filmes de ação.  

Porém sempre que possível, você deve trazer os diálogos a favor da narrativa, mesmo que não se encaixe em toda cena de ação, pois haverá momentos que o personagem não poderá dizer nada, mas com uma boa descrição da cena, será possível identificar os objetos e fatos que chegaram naquela situação.

Evite incluir diálogos reproduzidos como clichê nos filmes, que ocorre durante uma luta entre o mocinho e o bandido, onde ele revela seu plano maligno.

Os diálogos devem fluir normalmente conforme se desenrola a ação, revelando através da fala dos personagens, algum trauma ou superação de conflito pessoal do personagem.

Os diálogos devem ser pensados e escritos conforme a evolução do enredo, dando sentido a história e incluindo ganchos para a próxima sequência, seja ela outra cena de ação ou o próximo capítulo.

Saiba mais sobre como escrever diálogos neste artigo.

2 – Os personagens como elemento principal

Ao elaborar uma cena de ação, você deve ter o critério de determinar se a cena em questão gerou contexto para que uma ação entre no circuito.

O ponto que os leitores levam mais a atenção é no personagem, ele é o caminho pelo qual os leitores se conectam com suas histórias, alguns exemplos são; Sherlock Holmes, Robert Langdon, Harry Potter…

Através dos personagens, os leitores se engajam na ação que está sendo contada, atraindo a atenção.  Caso o papel da cena não esteja sendo cumprida, eles pularão para próxima cena.

Uma forma de conferir se a cena está sendo bem interpretada, é gerar empatia com o leitor, analisando se a ação está sendo bem clara, a ponto de saber plenamente quem são as pessoas do conflito, o que causou o conflito, e se a ação revela alguma relação entre os personagens.

Ou seja, faça um relacionamento com três perguntas; ‘Quem’, ‘Por que’ e ‘O que’.

Assim você terá subsídios para elaborar uma boa cena de ação.  Repita essas perguntas não só para os protagonistas, mas para todos os personagens que estão envolvidos na cena de ação, porém sempre visando o enredo.

3 – Elabore momentos de surpresa

Uma das características de uma cena de ação elaborada é baseada na técnica da jornada do herói, nela podemos observar que há todo um clima gerado em torno da cena de ação, com seus percalços, revelações e um desfecho condizente com o enredo criado.

Uma cena de ação mal elaborada, gera tédio e o possível abandono da leitura, principalmente quando o enredo se torna óbvio e sem motivação.

Um bom conflito deve fazer com que os leitores se revirem na poltrona, com provocação necessária para gerar suspense, aflição e desejo de saber se o protagonista não conseguir realizar tal feito, o que poderá ocorrer? 

O principal ingrediente na elaboração de uma cena de ação é manter o equilíbrio entre os personagens, expondo alguns pontos forte e fracos de cada um deles.

Gere um ambiente que direcione as expectativas, onde o personagem é inteligente, mas não possui habilidades de um atleta, ou tenha sido traído por seu aliado, e descobriu no pior momento da cena.

Imagine as diversas possibilidades, acrescente elementos surpresa, que pode ser um aliado no último momento, um contra-ataque inesperado ou mesmo um distúrbio emocional em pleno clímax da cena, as possibilidades são imensas, porém devem sempre fazer sentido ao enredo a próxima cena.

4 – Alterne a estrutura na cena de ação

Uma das coisas que o leitor espera e deseja encontrar em suas histórias são as surpresas.  Serem surpreendidos e evitando todo o desfecho premeditado é o que os leitores mais buscam ao lerem histórias originais.

Por isso, a cada cena de ação que você for criar, não copie o mesmo padrão já utilizado em cenas anteriores. 

Se o protagonista venceu em cenas anteriores e na próxima cena ele vencer novamente, o leitor ficará entediado e terá como mensagem, que em todas as próximas cenas de ação o protagonista irá vencer, causando assim um abandono precoce da leitura.

Ofereça ao leitor cenas de disputas frenéticas entre mocinho e bandido, porém mesmo que o mocinho vença todas as disputas, adicione as consequências da vitória.  Permita que ele vença, mas o custo pela vitória deve ocorrer perdas inesperadas, de relacionamento, finanças, ou disputas de poder.    Faça o conflito impulsionar a história, trazendo a simpatia do leitor.

5.     Escreva parágrafos rápidos

Ao escrever cenas de ação, devemos ter a percepção do formato ideal do texto no momento da leitura, ou seja, devemos escrever frase e parágrafos curtos que acelerem o ritmo da leitura.

Dessa forma, conseguimos transmitir uma sensação de urgência, ao contrário, se utilizarmos frase longas, podemos transmitir um ritmo vagaroso e monótono, cansando o leitor, e fazendo totalmente ao contrário de uma cena de ação.

O correto é manter o controle do ritmo acelerado, quando for descrever cenas de ação, por exemplo; vamos imaginar que seu personagem está numa cena de ação, onde ele foge numa corrida frenética, desviando de obstáculos, por estar sendo perseguido por bandidos armados.

Ele se esconde atrás de uma parede. 

Os bandidos se aproximam.

Sua respiração está ofegante. Ele olha para os lados em busca de uma alternativa para se esconder.

Os bandidos estão cada vez, mas perto.

Este foi somente um exemplo de como frases curtas, provocam uma ação mais rápida.

É importante observar no momento de escrever cenas de ação, que não se deve narrar cada um dos movimentos do protagonista ou antagonista.  Pois se cada detalhe for narrado, a cena ficará monótona e poderá gerar desconcentração nos leitores.

Há um momento onde os detalhes são importantes, é exatamente quando a cena chega no clímax. 

Nesse momento, os detalhes são importantes, os socos de punho serrado, que o protagonista desfere no rosto barbudo do bandido, fazendo-o cair para trás em direção de um pequeno arbusto no jardim descuidado. Fará o leitor saber que a cena está em seu ápice, a caminho do final.

6.     Transmitir realidade em cenas de ação

Nem sempre escrever uma cena de ação, precisar ser igual a uma situação real.

Nenhuma cena precisa ser dessa forma, mas temos que escrever a cena de forma que pareça intuitivamente verdadeira.

Por mais que você não tenha conhecimento sobre algum tipo de assunto, mas seu personagem possui tal habilidade, descrever cenas que tenha coerência com o dom do seu personagem deve fazer todo sentido.

Por exemplo, sua personagem em questão é uma bailarina, mas você não faz ideia de como se faz os movimentos, os nomes de cada um deles, ou se há alguma linguagem própria de quem exerce essa função. 

O que fazer nesse momento?

Se você conhece esta arte, será bem mais fácil descrever os movimentos e os passos, porém nem todo o personagem que você criar deve possuir seu conhecimento.  A ideia é que não possua mesmo, pois cada um é único em sua realidade e função.

Por isso, usar referências através de pesquisas é o mais correta a se fazer.  No nosso exemplo da bailarina, devemos pesquisar por pessoas famosas que praticam essa arte, identificar em qual país ela foi criada, qual época histórica, como essa dança chegou no local onde a personagem pratica.

Enfim, é preciso identificar o maior número de informações possível sobre o assunto que refere ao seu personagem, assim fica mais fácil transmitir a verossimilhança aos leitores, e trazer a realidade na cena de ação, mesmo sendo a realidade daquele momento.

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