Vida de Escritor – Arthur Conan Doyle

Biografia

Arthur Ignatius Conan Doyle, nasceu em Edimburgo, Escócia, em 22 de maio de 1859, foi um escritor e médico britânico mundialmente famoso, por suas 60 histórias sobre o detetive Sherlock Holmes, consideradas uma grande inovação no campo da literatura criminal.

Os trabalhos incluem, além das histórias de Sherlock Holmes, outras histórias de ficção científica, novelas históricas, peças e romances, poesias e obras de não-ficção.

Arthur Conan Doyle viveu e escreveu parte de suas obras em Southsea, um bairro elegante de Portsmouth na Inglaterra.

Filho de um inglês de ascendência irlandesa, Charles Altamont Doyle e de uma mãe irlandesa com nome de solteira Mary Foley.

A família, era rigorosamente católica, herdando da mãe o caráter cavalheiresco, tendo sido ela quem lhe ministrou as primeiras letras.

Embora ele seja hoje conhecido como “Conan Doyle”, a origem de seu sobrenome composto é incerta.

Seu registro de batismo na Catedral de Santa Maria em Edimburgo, afirma que “Arthur Ignatius Conan” é seu nome cristão, e apenas “Doyle” é seu sobrenome.

Conan Doyle foi enviado para o curso preparatório num colégio jesuíta da vila de Hodder Place, em Lancashire, quando tinha nove anos.

Matriculou-se em seguida no Colégio Stonyhurst mas, em 1875, quando concluiu o colegial, rejeitava o cristianismo e se tornou agnóstico; esse questionamento surgiu de sua admiração pelo escritor Thomas Babington Macauley, que se dizia agnóstico e, após ouvir uma preleção onde um padre afirmara que os não-católicos iriam para o inferno, seus questionamentos fizeram-se mais agudos.

Entre 1876 e 1881, ele estudou medicina na Universidade de Edimburgo, passando também um tempo na cidade de Aston (hoje um distrito de Birmingham) e em Sheffield.

Em 1878, trabalhou por três semanas, em troca de casa e comida como médico aprendiz, nos subúrbios de Sheffield, cuja experiência relatou em carta: “Esta gente de Sheffield preferiria ser envenenada por um homem com barba do que ser salva por um homem imberbe”.

Enquanto estudava, começou a escrever pequenas histórias; sua primeira obra foi publicada antes de completar os 20 anos, aparecendo no Chambers’s Edinburgh Journal.

Ainda estudante teve sua primeira experiência naval, como médico numa baleeira, onde ficou sete meses no Oceano Ártico.

Completou seu doutorado versando sobre tabes dorsalis em 1885.

Emprego e as origens de Sherlock Holmes

Em 1882, ele se juntou ao seu antigo colega de classe George Budd para formar uma parceria em uma prática médica em Plymouth, mas a relação entre eles provou ser difícil e logo, Conan Doyle passou a fazer suas práticas médicas independentemente.

Chegando a Portsmouth em junho daquele ano com menos de £10, ele começou a atender na Bush Villas em Elm Grove, Southsea.

Os negócios não tiveram muito sucesso; enquanto aguardava por pacientes, ele voltou a escrever suas histórias.

Sua primeira obra notável foi “Um Estudo em Vermelho”, publicada no Beeton’s Christmas Annual de 1887, e que foi a primeira vez em que Sherlock Holmes apareceu.

Holmes era parcialmente baseado em seu professor de sua época na universidade, Joseph Bell, a quem Conan Doyle escreveu: “É mais do que certo que é a você a quem eu devo Sherlock Holmes… Com base no centro de dedução, na interferência e na observação que ouvi você inculcar, tentei construir um homem”.

As futuras histórias a apresentar Sherlock Holmes foram publicadas na inglesa Strand Magazine.

O que é interessante é que, mesmo na distante Samoa, Robert Louis Stevenson foi capaz de reconhecer a forte similaridade entre Joseph Bell e Sherlock Holmes. “Meus parabéns às geniais e interessantes aventuras de Sherlock Holmes… Seria este meu velho amigo Joe Bell?”.

Outros autores ocasionalmente sugerem influências adicionais, como o famoso personagem de Edgar Allan Poe, C. Auguste Dupin.

Durante sua estadia em Southsea, ele jogou futebol amador no time Portsmouth Association Club, na posição de goleiro, sob o pseudônimo A. C. Smith.

Também jogava boliche ocasionalmente, jogando apenas em uma liga de primeira classe. Além disso, ele era um grande golfista, eleito como capitão do Clube de Golfe de Crowborough Beacon, East Sussex, em 1910.

Casamento e família

Em 1885, ele se casou com Louise Hawkins, que sofria de tuberculose e acabou morrendo em 4 de julho de 1906.

Em 1907, ele se casou com Jean Elizabeth Leckie, com quem ele se apaixonou em 1897, mas manteve uma relação platônica enquanto sua primeira esposa ainda estava viva, por lealdade para com ela.

Jean morreu no dia 27 de junho de 1940 em Londres.

Conan Doyle teve cinco filhos, dois com sua primeira esposa, Mary Louise, nascida em 28 de janeiro de 1889 e Arthur Alleyne Kingsley, conhecido como “Kingsley”, nascido em 15 de novembro de 1892 e três com sua segunda esposa, Denis Percy Stewart, nascido em 17 de março de 1909, Adrian Malcolm nascido em 1910 e Jean Lena Annette, nascido em 1912.

Morte de Sherlock Holmes

Em 1890, Conan Doyle começou a estudar sobre oftalmologia em Viena e, mudou para Londres em 1891 para começar a atender a oftalmologista.

Conforme diz a sua autobiografia, nenhum paciente sequer passou pela porta de seu consultório, o que lhe deu mais tempo para escrever.

Em novembro de 1891, ele escreveu para sua mãe: “Acho que vou assassinar Holmes… e lhe dar fim de uma vez por todas, “Ele priva minha mente de coisas melhores”- disse Conan Doyle.

Sua mãe respondeu, dizendo, “Faça o que achar melhor, mas o público não aceitará essa atitude em silêncio”.

Em dezembro de 1893, ele fez o que pretendia para dedicar mais tempo a obras que ele considerava mais “importantes” – os seus livros históricos.

Holmes e Moriarty aparentemente mergulharam às suas mortes nas Cataratas de Reichenbach na história The Final Problem.

A manifestação de desagrado do público fez com que o escritor trouxesse o personagem de volta; ele retornou na história A Casa Vazia, com a explicação de que apenas Moriarty havia caído, mas como Holmes tinha outros inimigos perigosos, especialmente o Coronel Sebastian Moran, ele fingiu estar “temporariamente” morto.

Com isso, Holmes apareceu em um total de 56 pequenas histórias e quatro livros, escritos por Conan Doyle, mas ele apareceu em vários livros e histórias por outros autores.

Envolvimento com o Espiritualismo

No ano de 1887, Conan Doyle travou seu primeiro contato com o Espiritualismo, iniciando neste mesmo ano, junto ao seu amigo Ball, arquiteto de Portsmouth, sessões mediúnicas que o fizeram rever seus conceitos.

Após as mortes de sua esposa Louisa em 1906, do seu filho Kingsley, do seu irmão Innes, de seus dois cunhados, e de seus dois netos, Conan Doyle mergulhou em profundo estado de depressão.

Kingsley Doyle faleceu a 28 de outubro de 1918 de uma pneumonia que contraiu durante a convalescença, após ter sido seriamente ferido durante a batalha do Somme em 1916.

O General Brigadeiro Innes Doyle faleceu em fevereiro de 1919, também de pneumonia.

Arthur Conan Doyle, encontrou consolação apoiando-se no Espiritualismo, esse envolvimento levou-o a escrever sobre o assunto, tornando-se um de seus maiores divulgadores e defensores.

No auge da fama, em 1918, enfrentou todos os céticos e publicou “A Nova Revelação”, obra em que manifesta a sua convicção na explicação espírita para as manifestações paranormais estudadas durante o século XIX, e inicia uma série de outras, em meio a palestras sobre o tema.

Em “A Chegada das Fadas”, 1921, ele reproduziu na obra teorias sobre a natureza e a existência das fadas de cottingley e espíritos.

Posteriormente, em “The History of Spiritualism” de 1926, aborda a história do movimento espiritualista anglo-saxônico e do Espiritismo codificado pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, conhecido pelo pseudônimo Allan Kardec.

Seus trabalhos sobre o tema foram um dos motivos pelos quais a sua compilação de pequenas histórias, As Aventuras de Sherlock Holmes, foi proibida na União Soviética em 1929 por suposto ocultismo.

A proibição foi retirada mais tarde, quando o ator russo Vasily Livanov receberia uma Ordem do Império Britânico por sua interpretação de Sherlock Holmes.

Por algum tempo, Conan Doyle foi um amigo do mágico Harry Houdini, que se tornaria um grande oponente do movimento moderno espiritualista na década de 1920, após a morte de sua mãe.

Embora Houdini insistisse que os médiuns da época faziam truques de ilusionismo (e buscava expor tais médiuns como fraudes), Conan Doyle já estava convencido de que o próprio Houdini possuía mediunidade ativa, um ponto de vista expresso em “O Limite do Desconhecido”.

Aparentemente, Houdini não foi capaz de convencer Conan Doyle de que seus feitos eram simples ilusões, levando a uma amarga e pública quebra de relações entre os dois.

A sua convicção foi além: para receber o título de Par Peer do Reino Britânico, foi-lhe imposta a condição de renunciar às suas crenças.

Richard Milner, historiador estadunidense de ciências, apresentou um caso no qual Conan Doyle pode ter sido o responsável pelo boato do homem de Piltdown de 1912, criando um fóssil hominídeo falso que enganou o mundo científico por mais de 40 anos.

Milner disse que o motivo de Conan Doyle era de se vingar do estabelecimento científico por desbancar uma de suas físicas favoritas, dizendo ainda que O Mundo Perdido continha várias pistas criptografadas que se tratavam de seu envolvimento com o boato.

O livro de 1974 escrito por Samuel Rosenberg, “Naked is the Best Disguise”, se propõe a explicar como Conan Doyle deixou no meio de seus escritos, pistas abertas que se relatam a aspectos ocultos de sua mentalidade.

Morte

Conan Doyle foi encontrado apertando seu peito nos corredores da Windlesham, a sua casa em Crowborough, East Sussex, no dia 7 de julho de 1930.

Ele morreu de ataque cardíaco aos 71 anos, suas últimas palavras foram ditas à sua esposa: “Você é maravilhosa.”. A tradução em português de seu epitáfio em seu túmulo no Cemitério de Minstead é:

VERDADEIRO AÇO

LÂMINA AFIADA

ARTHUR CONAN DOYLE

CAVALHEIRO

PATRIOTA, MÉDICO & HOMEM DE LETRAS

Undershaw, a casa que Conan Doyle havia construído nas redondezas de Hindhead, ao Sul de Londres, e onde ele viveu por aproximadamente uma década, virou um hotel e restaurante entre 1924 e 2004.

A casa foi, então, adquirida por um desenvolvedor, e foi mantida vazia desde então enquanto conservacionistas e fãs do autor lutam para preservá-la.

Há uma estátua em honra a Conan Doyle em Crowborough Cross, Crowborough, onde Conan Doyle viveu por 23 anos.

Também há uma estátua de Sherlock Holmes em Picardy Place, Edimburgo, Escócia, próximo à casa onde Conan Doyle nasceu.

Principais obras

Romances com Sherlock Holmes

1887 – A Study in Scarlet (Um Estudo em Vermelho)

1890 – The Sign of the Four (O Signo dos Quatro)

1902 – The Hound of the Baskervilles (O Cão dos Baskervilles)

1915 – The Valley of Fear (O Vale do Medo/O Vale do Terror)

Contos com Sherlock Holmes

1892 – The Adventures of Sherlock Holmes (As Aventuras de Sherlock Holmes)

1894 – The Memoirs of Sherlock Holmes (As Memórias de Sherlock Holmes)

1905 – The Return of Sherlock Holmes (A Volta de Sherlock Holmes)

1917 – His Last Bow (O Último Adeus)

1927 – The Case-Book of Sherlock Holmes (O livro de casos de Sherlock Holmes)

1928 – The Complete Sherlock Holmes Short Stories (Coleção completa de histórias de Sherlock Holmes)

Narrativas com o Professor Challenger

1912 – The Lost World (O Mundo Perdido)

1913 – The Poison Belt (O cinto venenoso)

1926 – The Land of Mist (A terra da neblina)

1927 – The Disintegration Machine (A máquina de desintegração)

1928 – When the World Screamed (Quando o mundo gritou)

1952 – The Professor Challenger Stories (A histórias do Professor Challenger)

Ensaios

1902 – The War in South Africa: Its Causes and Conduct

1907 – The Case of Mr. George Edalji

1912 – The Case of Oscar Slater 1920 – Spiritualism and Rationalism

1925 – The Early Christian Church and Modern Spiritualism

1925 – Psychic Experiences

Trabalhos sobre a guerra, o exército e o espiritualismo

1900 – The Great Boer War

1909 – The Crime of the Congo

1909 – Divorce Law Reform: An Esaay

1911 – Why He is Now in Favor of Home Rule

1914 – The German War

1914 – Civilian National Reserve

1914 – The World War Conspiracy

1914 – The German War

1915 – Western Wanderings

1915 – The Look on the War

1916 – An Appreciation of Sir John French

1916 – A Visit to Three Fronts

1916 – The Bristish Campaign in France and Flanders

1917 – Supremacy of the British Soldier

1918 – Life After Death

1918 – The New Revelation: My Personal Investigation of Spiritualism

1919 – The Vital Message

1922 – Spiritualism – Some Straight Questions and Direct Answers

1921 – The Wanderings of a Spiritualist

1922 – The Case of Spirit Photography

1922 – The Coming of the Faries

1926 – The History of Spiritualism

1928 – A World of Warning

1928 – What does Spiritualism actually Teach and Stand for?

1929 – An Open Letter to those of my Generation

1929 – Our African Winter

1930 – The Edge of the Unknown

Frases de Arthur Conan Doyle

“Quando você elimina o impossível, o que restar, não importa o quão improvável, deve ser a verdade” – Arthur Conan Doyle

“É um erro terrível teorizar antes de termos informação” – Arthur Conan Doyle

“A mediocridade nada enxerga além de seus confins, mas o talento reconhece imediatamente o gênio” – Arthur Conan Doyle

“Por muito tempo tem sido um dos meus axiomas que as pequenas coisas são infinitamente mais importantes” – Arthur Conan Doyle

“O mundo está cheio de coisas obvias, que ninguém, em momento algum observa” – Arthur Conan Doyle

Fonte:

http://www.arthurconandoyle.com/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Arthur_Conan_Doyle
https://educacao.uol.com.br/biografias/conan-doyle.htm